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Animais silvestres como sentinelas de resistência bacteriana
Uma pesquisa conduzida por Mauro Conter, professor da Universidade de Parma, na Itália, e sua equipe, revelou a presença de bactérias resistentes a antibióticos críticos na medicina humana em fezes de raposas, corvos e aves aquáticas. O estudo, realizado no norte da Itália, analisou quase 500 amostras desses animais.
Os pesquisadores detectaram a bactéria Klebsiella pneumoniae em amostras de raposas e aves aquáticas, com uma prevalência de 2%. Essa bactéria é conhecida por causar pneumonia, sepse e meningite em humanos. Embora a prevalência seja baixa, o achado é preocupante devido à resistência bacteriana observada.
Dados de vigilância clínica europeia de 2024 indicam que menos de 20% das amostras dessa bactéria em pacientes humanos na Itália apresentavam resistência semelhante. Isso sugere que a resistência encontrada nos animais pode antecipar problemas futuros na saúde pública.
Os pesquisadores propõem que incluir animais silvestres em programas de vigilância de resistência a antibióticos pode ser uma estratégia eficaz para detectar precocemente o avanço dessas bactérias para além de hospitais e criações de animais. O estudo sugere que o monitoramento desses animais pode ser crucial para antecipar e mitigar riscos à saúde humana.
Como próximos passos, o pesquisador Mauro Conter destaca a importância de ampliar o monitoramento e reduzir a poluição por antibióticos. Isso envolve melhorar o tratamento de esgotos e limitar o uso de antibióticos em contextos não humanos, como a pecuária.
Os animais analisados não recebem antibióticos diretamente, mas podem entrar em contato com resíduos humanos, esgoto, descargas hospitalares e dejetos de criações de animais. Essas fontes são potenciais liberadoras de bactérias resistentes no ambiente.