Salmões expostos à cocaína nadam até 90% mais que o normal

Salmões expostos à cocaína nadam até 90% mais que o normal

Meio ambiente

Foto: Reprodução/TV Globo

Na Suécia, uma pesquisa inovadora rastreou 105 peixes em um lago durante dois meses, revelando que os resíduos de cocaína no esgoto têm um impacto significativo no comportamento dos peixes. Os resultados mais surpreendentes não vieram da droga em si, mas do resíduo que ela deixa no esgoto, a benzoylecgonina. Os peixes expostos a esse derivado nadaram até 1,9 vez mais por semana, o que equivale a cerca de 90% a mais, e chegaram a se dispersar até 12,3 quilômetros além dos demais.

O estudo monitorou 105 salmões jovens ao longo de oito semanas, dividindo-os em grupos: um exposto à cocaína, outro à benzoylecgonina, e um terceiro sem exposição. Marcus Michelangeli, um dos autores do estudo, explicou que o deslocamento dos peixes influencia sua dieta, predadores e a estruturação das populações.

A benzoylecgonina, frequentemente encontrada em rios, mostrou ter um efeito mais forte do que a cocaína. Apesar disso, os pesquisadores afirmam que não há evidência de risco para quem consome peixe.

Esse fenômeno de poluição aquática já foi registrado em rios e mares no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, e agora, pela primeira vez, cientistas observaram em condições reais como essa contaminação altera o comportamento de animais na natureza.

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