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Estudo revela impacto da fragmentação de habitats no DNA dos elefantes africanos
Um estudo publicado na revista “Nature Communications” analisou 232 genomas completos de elefantes africanos, coletados em 17 países, revelando como a fragmentação de habitats está afetando o DNA desses animais em toda a África. A pesquisa destaca que, em áreas onde os elefantes perderam a capacidade de se mover e se misturar, sinais de isolamento genético são evidentes.
As regiões mais críticas incluem a Eritreia e a Etiópia, onde pequenas e remotas populações de elefantes vivem cercadas por assentamentos humanos e áreas agrícolas, a mais de 400 quilômetros dos parentes mais próximos. Nessas áreas, foram detectados altos índices de cruzamentos entre parentes, baixa variação genética e acúmulo de mutações que aumentam a vulnerabilidade a doenças e mudanças ambientais.
No entanto, na África Ocidental, os elefantes savana do centro-oeste africano apresentam níveis surpreendentemente altos de variação genética. Isso ocorre apesar das décadas de caça ao marfim e isolamento, graças à hibridização com elefantes-da-floresta, uma espécie distinta que compensou parcialmente a perda genética.
No sul da África, na região de Kavango-Zambezi, uma área de conservação transfronteiriça que abrange cinco países e cobre 520 mil km², os elefantes ainda conseguem se mover livremente entre áreas protegidas. Essa liberdade de movimento resulta em alta diversidade genética e poucos sinais de isolamento.
Patrícia Pečnerová, professora assistente da Universidade de Copenhague e pesquisadora-líder do estudo, afirmou que “os elefantes vivem em um mundo onde o espaço é cada vez mais restrito e algumas populações estão se tornando isoladas”. Alfred Roca, professor da Universidade de Illinois e coautor do estudo, alertou que “a consanguinidade é uma preocupação séria porque variantes genéticas deletérias recessivas serão expressas com mais frequência em uma população consanguínea”.
O estudo também esclarece que elefantes savana e elefantes floresta são duas espécies distintas, com trajetórias evolutivas separadas há cerca de 4 milhões de anos. Mais de 85% de toda a variação genética encontrada no estudo se deve a essa diferença entre as espécies.
Além disso, a pesquisa amplia a aplicação prática de rastrear a origem do marfim apreendido, tornando a identificação geográfica mais precisa. Os pesquisadores enfatizam que a conservação dos elefantes depende da proteção das áreas que conectam suas populações.
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